Ponta Negra é uma praia em Paraty, e este é o registro da viagem que fizemos entre grandes amigos na virada do ano de 2014 para 2015.
T E X T O  
P E D R O  B O T T O N

I M A G E N S  
H A N N A H  U E S U G I  &  P E D R O  B O T T O N
G O  P R O

O vídeo foi inteiro filmado com uma câmera GoPro Hero3+, equipamento com lente grande angular, que confere às imagens uma estética muito própria. Também por ser uma câmera extremamente compacta, resistente e a prova d’água, que possibilita filmagens submersas e aéreas, seu registro acaba sendo, sob certo ponto de vista, uniforme — mais do mesmo. 

Por conta disso, acredito que, principalmente durante a edição, houve a vontade de tentar subverter um pouco este conceito, usando a câmera para realizar filmagens que poderiam ser tranqüilamente feitas por outros equipamentos, mas que, no entanto, não o foram simplesmente por aquela ser a única que tínhamos em mão durante a maior parte da viagem. 

Apesar de não satisfazer completamente o desejo de que o estilo de filmagem “GoPro” não se tornasse enjoativo e previsível, essa ideia atravessa a realização do clipe.

E D I Ç Ã O

É na edição que o filme ganha vida. A afirmação é comum em diversos projetos audiovisuais, e neste não foi diferente. Pelo fato das filmagens terem ocorrido sem nenhum tipo de direção, roteiro ou projeto e de terem sido feitas de forma totalmente espontâneas, o momento da edição é a realização de todos esses expedientes de forma simultânea.

Escolhemos, porém, respeitar a ordem cronológica dos fatos simplesmente por não haver motivo para inverte-la. O duro foi realmente conseguir apurar o tato para entender o que era realmente interessante para todos e o que só tinha graça para quem viajou. Ao mesmo tempo, ter a consciência que um vídeo como este cumpre muito mais a função de recordação de viagem do que propriamente entretenimento de internet. Assim, esse equilíbrio do que fica e do que sai, do tempo de cada cena, de cada momento e de cada risada se tornou chave para fazer com que o filme não cansasse o espectador, mas ao mesmo tempo não se tornasse um mero resumo do que foi a viagem.

M Ú S I C A  E  S I L Ê N C I O

Para trilha sonora utilizou-se uma música gravada pelo mestre Tom Jobim em seu disco de capa indiscutível, o Wave, de 1967. A música que toca no vídeo é a que fecha o disco, “Captain Bacardi” — e sua escolha se deu basicamente por ter sido o Rum, mais especificamente o Bacardi, a bebida mais consumida durante aquela semana em Ponta Negra.

Aa música confere à primeira parte do vídeo uma animada aventura, um tom de férias, de tranquilidade curiosa (pelo menos é o que pensamos quando a escolhemos), que representa bem o nosso sentimento enquanto estávamos lá.

No entanto, a edição fez com que o filme ficasse mais comprido que a duração da música. Na cena final, a interação com a mini água-viva é narrada por nós mesmos, porém, quando a filmagem se torna submersa, a captação do áudio se torna inutilizável e cogitou-se retomar alguma parte da canção já usada, ou até selecionar uma nova música. O absoluto silêncio, porém, nos pareceu a melhor trilha para o momento. 

Por ser pouco utilizado, ainda mais em pequenos clipes, o silêncio acaba assumindo um papel marcante no vídeo e ocupa com mais solidez esse momento do que qualquer música que poderíamos ter escolhido. 

Em um lugar sem luz, sem sinal de telefone, sem caixa eletrônico e sem saída, talvez a presença da ausência realmente represente bem o que passamos naqueles nove dias.
F I C H A  T É C N I C A

EDIÇÃO 
PEDRO BOTTON & HANNAH UESUGI   

MÚSICA 
TOM JOBIM - CAPTAIN BACARDI

FONTE 
GOTHAM   

EQUIPAMENTO 
GOPRO HERO3+   

ANO 
2015