Oficina 50+ é o livro comemorativo de 50 anos da Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona.
T E X T O  
P E D R O  B O T T O N

I M A G E N S  
C Á S S I A  V I L A  &  H A N N A H  U E S U G I
L I V R O

Em 2008 o Teatro Oficina, uma das mais importantes companhias de teatro do Brasil e do mundo, completou 50 anos de existência. Por conta do aniversário, a instituição decidiu na época lançar um livro contando a sua história através de documentos, fotos e textos sobre a trajetória da companhia.

No entanto, a publicação só foi tomar forma e apontar pro que acabou se tornando o livro de fato 5 anos mais tarde, em 2013 e é por conta desse, digamos, “atraso” que a obra recebeu o nome de Oficina 50+, isto é, uma espécie de dizer que na data do lançamento do livro o Teatro Oficina estaria fazendo cinquenta e poucos anos.

O então ator do Oficina Mariano Mattos Martins assumiu o papel de organizador do livro, revisitou tudo o que se havia pensado para o livro até ali por diversas pessoas e fixou como se estruturaria a obra: a história do teatro contada retroativamente — do mais recente ao mais antigo — fundamentalmente através de textos publicados na imprensa e ilustrada por montagens feitas a partir de fotos dos espetáculos realizados.

Todo esse material seria classificado em 11 categorias próprias — a saber, são elas: terreiro, fato, música, cena, anhangabaú, imprensa, corpo, manifesto, multidões, entrevista e visual — e apareceria no livro com legendas indicando a fonte do documento seguindo uma estética semelhante a como são especificadas as informações nos projetos executivos de arquitetura.

Para a elaboração do projeto gráfico o Mariano convidou o designer Thiago Freitas e juntos eles definiram as diretrizes visuais do livro.

As próximas etapas seriam a seleção do material a ser utilizado no livro em meio ao imenso arquivo do próprio Oficina, a pesquisa de conteúdos complementares das épocas em que o arquivo próprio não fosse suficiente e, ao mesmo tempo em que os conteúdos fossem definidos, a digitalização e diagramação do material no livro. É aqui que eu passo a fazer parte do Oficina 50+.

C O N T R I B U I Ç Ã O

Ao entender a quantidade de trabalho que o livro demandaria o Mariano foi atrás de dois assistentes — que depois se tornariam cinco — e eu, juntamente com a designer e ilustradora Tainá Tamashiro, passamos a fazer parte da equipe, eu mais próximo do Mariano, a Tainá mais próxima do Thiago.

Minha contribuição, portanto, foi bem além das funções editoriais convencionais e se aproximou bastante do que se entende por produção como por exemplo: pesquisar modelos e preços de scanner A3; comprar, buscar e configurar um computador novo que seria utilizado na fatura do livro; configurar a rede de trabalho do escritório temporário que se criou para a diagramação do livro; ir até o Arquivo Edgar Leuenroth da Unicamp buscar e fotografar junto com o Cássio Abreu a parte do acervo da hemeroteca do Oficina que lá se encontra; pesquisar e fotografar matérias relacionadas às manifestações de junho de 2013 na biblioteca da ECA USP entre outras diversas funções além, é claro, da parte “dura” da diagramação, que no caso era tratamento de imagem, acomodação na página e aplicação das legendas dos conteúdos.

A S T R A L

O processo de diagramação do livro foi feito de forma bastante colaborativa e descentralizada, isto é, a mesma página poderia ter sido trabalhada por diversas pessoas e por conta disso o rigor estético na estrutura da publicação foi fundamental para que ela possuísse uma coesão interna. Outras etapas no processo editorial que normalmente são responsabilidade de uma pessoa — como por exemplo revisão de texto, checagem de dados, padronização de termos — também funcionaram de forma bastante colaborativa, assim quem estava escaneando documentos ontem, hoje pode estar revisando legendas, amanhã selecionando fotos e assim por diante.

No entanto, algumas tarefas específicas acabam sendo inevitavelmente realizadas de maneira absolutamente individual, como é o caso das montagens cuja imensa maioria foi criada pelo próprio Mariano e a parte dos mapas astrais, os quais tive o prazer de redesenhar.

Os mapas estão na parte inicial do livro, logo após o sumário, e foram feitos a partir de 3 datas essenciais do Oficina: 28/10/1958, dia do nascimento do grupo oficina na Faculdade de Direito do Largo São Francisco; 16/8/1961, dia da inauguração do Teatro Oficina no número 520 da Rua Jaceguay no Bexiga; e 03/10/1993 que é o dia do nascimento do Terreiro Eletronyko, isto é, o prédio do Oficina como conhecemos hoje projetado por Lina Bo Bardi e Edson Elito.

Eu decidi redesenhar os mapas completamente a fim de que eles ficassem de acordo com o projeto gráfico do livro. Para isso, elaborei toda uma iconografia astrológica original — planetas, signos e astros — assim como a estrutura espacial do mapa e as aplicações das leituras feitas a partir da interpretação dos mapas.
F I C H A  T É C N I C A

INSTITUIÇÃO 
ASSOCIAÇÃO TEAT(R)O OFICINA UZYNA UZONA   

ORGANIZAÇÃO 
MARIANO MATTOS MARTINS   

PROJETO GRÁFICO 
MARIANO MATTOS MARTINS & THIAGO FREITAS   

EQUIPE EDITORIAL 
CAIO CÉSAR DE ANDRADE, CÁSSIA VILA, CECÍLIA LUCCHESI, FELLIPE FERNANDES, ISADORA ARAGÃO, KAREN KAWAGOE, MARIANO MATTOS MARTINS, PEDRO BOTTON, RAFAELA WRIGG, TAINÁ TAMASHIRO & THIAGO FREITAS   

FONTES 
FONECIAN E SWISS 721   

FORMATO FECHADO 
295X385MM   

IMPRESSÃO 
PANCROM   

MÉTODO 
OFFSET 4X4 CORES   

PAPÉIS 
OFFSET 120G/M² E COUCHÉ FOSCO 90G/M²   

PÁGINAS 
268   

ANO 
2013