T E X T O &  I M A G E N S  P E D R O  B O T T O N
MUSEU DO INSTITUTO BIOLÓGICO é o braço expositivo do centro de pesquisa chamado Instituto Biológico de São Paulo e fica localizado na Vila Mariana. O projeto aqui apresentado é fruto de um estudo livre de marca e não foi pedido pelo instituto e nem apresentado formalmente a ele.
M A R C A
A identidade visual proposta para o Museu do Instituto Biológico surge de algumas vontades que guiaram todo o projeto e suas aplicações.
A primeira foi estabelecer desde o começo não uma marca estática mas sim um sistema de aplicação de marca que pudesse ser continuamente alterado mas que ainda assim contivesse um elemento forte o suficiente para também aparecer sozinho, como uma marca tradicional.
A segunda foi trabalhar com a simetria bilateral que a grande maioria dos insetos possui e, assim abrir possibilidades visuais que lidassem com a irregularidade dessa metade do corpo do animal utilizado, suprimindo o resto do corpo onde a forma se repetiria e aplicando aí o nome da instituição, trabalhando assim também com a assimetria característica de textos alinhados à esquerda ou à direita. Por conta disso tomou-se a decisão de utilizar o DO individualmente na linha quando o mais usual seria colocá-lo ao lado de MUSEU.
Outro desejo era explorar a ilustração clássica de insetos, gravuras que os representavam antes da ditadura da fotografia digital e que,  apesar da aparente contradição, me parecem muito mais fiéis à estrutura desses animaizinhos do que qualquer fotografia em alta definição.
Com todos esses elementos, se buscou uma programação visual mais sóbria do que parece ser a vontade atual do museu, mas que dialoga com a complexa estrutura natural dos insetos lá presentes e talvez atualmente esteja um pouco esquecida em favor do encanto que é para a criança da cidade um bicho-pau em sua mão pela primeira vez.
Essa sobriedade se relaciona com a seriedade característica do trabalho realizado pelo Instituto Biológico e também atenta para o respeito, e até reverência, que devemos ter por essa forma de vida tão extraordinária e ordinária ao mesmo tempo, pois basta olhar de perto pra ver que qualquer mariposa é muito mais borboleta que folha seca.
A cor predominante, e por enquanto única, é o preto, que conversa sempre com a cor do papel e a fonte utilizada foi a Univers, criada por Adrian Frutiger.
P R O M O C I O N A L
Para a peça relacionada à divulgação e provável primeiro contato do público com essa nova programação visual se buscou o estranhamento que leva a prender a atenção do espectador e uma linha de força central. Para tal, o meio escolhido foi o cartaz.
A construção dele se dá através da criação de um novo inseto a partir da junção da metade de cada um dos dois no sentido longitudinal. Com isso busca-se o efeito de um primeiro reconhecimento como um inseto comum e, logo após, um certo estranhamento pela ausência da simetria bilateral esperada. De certa maneira, se absorve a informação de dois insetos de uma vez só, dado que facilmente completamos a parte ausente do inseto em nossas cabeças, ou pelo menos é isso que eu busquei.
Ao usar pouca informação adicional eu tive como intenção causar uma curiosidade e, assim, gerar a visita ao museu das pessoas que virem o cartaz e não entenderem muito bem do que se trata apesar de atraídas pelos insetos, pelas ilustrações antigas e/ou pelo design gráfico, ao menos.
E D I T O R I A L
Eu sou um grande admirador de revistas, portanto escolhi esse formato para a peça editorial do novo Museu do Instituto Biológico. Além da inclinação pessoal, ela foi escolhida pela possibilidade de ter funções específicas da estrutura da instituição.
O formato escolhido foi um A3 com a revista aberta descontadas as áreas de refile.
A revista divulgaria textos relacionados ao trabalho realizado em todas as seções do Instituto Biológico e assim faria as vezes de brinde a quem visitasse o Museu e também de revista corporativa e, por que não, científica.
Dessa vez os insetos tendem a aparecer completos mas ainda assim divididos de alguma forma, seja virando a página, seja na dobra da dupla. Uma revista de poucas páginas mas com espaço pra textos substanciais, voltada pra um público mais adulto mas, ainda assim, com grandes ilustrações que podem interessar as crianças que visitam o museu. 
A seguir, o boneco da revista.
M U S E O G R A F I A
Durante a visita ao museu, o que mais me incomodou foi a necessidade de sempre olhar para baixo para ver os insetos. Ainda que seja assim que os vemos como nas ilustrações escolhidas, outros ângulos deles também são especialmente bonitos e acabam se perdendo por essa disposição em mesas.
Atrelado a isso, percebi como a vontade de circular pelo espaço supera qualquer intenção de guiar o espectador por um roteiro pré-definido. Com isso, escolhi retirar tudo que atualmente se encontra apoiado no chão e usar apenas as paredes, que são muitas na casa, como suporte expositivo, como tentei representar nos desenhos abaixo.
Assim, apenas uma face dos aquários seria desperdiçada, ou, com a aplicação de um espelho nessa face, nenhuma se perderia. O passeio ficaria completamente desobstruído.
Nas paredes também estariam os painéis informativos — seguindo essa nova programação visual mais sóbria — para os visitantes que não se contentarem em se ver em meio a baratas de Madagascar.
D I G I T A L
Por fim, e como uma forma de contraponto a essa nova sobriedade proposta, o suporte escolhido para a plataforma digital foi o jogo eletrônico.
Seu funcionamento seria muito simples e resultaria em um brinde para as crianças que visitassem o museu, mas que com certeza muitos adultos também iriam se interessar.
A proposta é muito simples: um aplicativo para tablet que consiste em juntar duas metades distintas dos insetos ilustrados, dar um nome para esse novo bicho e gerar um arquivo pdf que pode ser impresso em formato de pôster, cartão postal ou qualquer outro tamanho que o visitante deseje.
A vontade de escolher o jogo ao invés do site veio pelo fato dele acrescentar um conteúdo criativo à visita, mas o site seria indispensável também e foi pensado seguindo a mesma lógica de duas colunas que interagem entre si, mas que acabou não sendo esboçado.
Ao estimular o visitante a criar sua própria versão do pôster eu tive a intenção de trazer o espectador de novo pra dentro do Museu do Instituto Biológico.
C O M E N T Á R I O
Transformar dois em um de certa maneira reforça uma unidade formada de partes. A junção de dois insetos distintos que, quando colocados lado a lado, apresentam mais semelhanças do que o esperado talvez seja uma boa analogia para os dois campos que me debruço na minha formação: a arquitetura urbana e o design gráfico.
Este projeto é a soma direta dessas duas disciplinas, é quando o diagramador organiza o espaço e o arquiteto, o A3.
A primeira inspiração para todos esses insetos que têm vontade de ser gigantes veio das esculturas do jardim do museu, um pouco sucateadas mas que, com certeza, seriam uma das maiores atrações desse novo projeto. Quem sabe uma delas até não alçaria vôo de repente, por vontade própria? Pois, como se sabe, só se voa sozinho.
F I C H A  T É C N I C A
PROJETO DE MARCA PEDRO BOTTON   FONTE UNIVERS   ILUSTRAÇÕES DOMÍNIO PÚBLICO   ANO 2013

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